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sábado, 23 de junho de 2012

Uma Família Com Etiqueta

Título original: The Joneses
Género: Comédia Dramática
Classificação: M/12
Outros dados: EUA, 2009, Cores, 96 min.
Links: Site Oficial

Quando os Joneses se mudam para o novo bairro parecem a família perfeita: Steve (David Duchovny), Kate (Demi Moore), Mick (Ben Hollingsworth) e Jenn (Amber Heard) são bonitos, bem-educados e exalam autoconfiança. Tudo neles, na sua casa e no seu modo de vida parece sair de um catálogo de uma revista de moda, algo que faz nascer uma certa dose de inveja aos seus novos vizinhos e futuros amigos. Porém, inveja é exactamente o que eles desejam dos outros pois, por mais bizarro que pareça, eles não são propriamente uma família, mas sim funcionários da LifeImage, uma empresa de marketing com métodos ultra agressivos. A cada um deles cabe a função de usar produtos adequados ao seu género e faixa etária e, assim, incentivar o seu consumo. Porém, poucas semanas após a sua chegada ao bairro, apesar de se tornarem modelos para toda a vizinhança e casos de sucesso para a LifeImage, vão debater-se com uma série de problemas com os quais vão ter algumas dificuldades em lidar. PÚBLICO


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Corpo Celeste

Título original: Corpo Celeste
Classificação: M/12
Outros dados: ITA, 2011, Cores, 95 min.

Marta (Yle Vianello) é uma menina de 13 anos que, depois de quase toda uma vida a viver na Suíça, regressa à pequena cidade onde nasceu, na região da Calábria, Itália. Ali, na companhia da mãe e da irmã mais velha, vai ter de encontrar o seu lugar na comunidade e redescobrir-se como ser humano. Mas este caminho revelar-se-á árduo pois naquele lugar tudo gira à volta da religião, que parece ter uma carga excessivamente dramática e moralista.
Escrito e realizado por Alice Rohrwacher, um filme sobre as enormes transformações da puberdade através do olhar de uma adolescente. PÚBLICO

terça-feira, 19 de junho de 2012

OS GLORIOSOS ANOS 80

pluma caprichosa

OS GLORIOSOS ANOS 80


Foram os anos da libertação cultural e sexual, antes de a sida aparecer como uma bigorna

QUE POSSO DIZER? ÉRAMOS FELIZES. Pode-se argumentar que éramos felizes porque éramos jovens, ou que éramos felizes porque éramos inconscientes. Eu acho que éramos felizes porque éramos livres.
Esta liberdade era como sal marinho que fica no corpo depois do mar, uma coisa que faz bem à saúde. As mulheres e os homossexuais libertavam-se, não havia óbvia distinção de raças nem de classes, e os costumes da cultura e do pensamento eram manifestos. Os anos 80 foram os anos da libertação cultural. E sexual, antes de a sida aparecer como uma bigorna.

Era pecado ser-se inculto e este ser-se inculto não significava digerir cultura como quem pratica boas ações antes da confissão, significava que tudo era cultura e tudo era interessante. Lisboa era a capital e fervilhava de 'cultura'. Os ciclos de cinema estavam à pinha e mendigavam-se bilhetes, os espetáculos e as exposições tinham gente a deitar por fora, os cinemas ainda tinham néones e cada estreia transbordava para noites de vigília a discutir as vantagens de Rohmer e Kurosawa. As livrarias eram palcos de um teatro pessoal e eram um lugar de encontros, com os livreiros nossos amigos dispondo Tennessee Williams ou e.e. cummings, Whitman ou Pessoa, Herberto ou Cesariny, Saramago ou Cardoso Pires, Maria Velho da Costa ou Ruben A, como chocolates suíços. Nasceu a Assírio & Alvim, do Hermínio Monteiro. Tudo dava uma discussão cultural e os espadachins diletantes ficavam horas na esgrima. A cultura era, como se diz hoje, um grande mercado. As pessoas falavam em pessoa e não tinham telemóvel nem 493 amigos no Facebook.

Havia a poesia e havia a noite e as duas encontravam-se no Bairro Alto e no Frágil, o covil sagrado do Manuel Reis, com a Margarida Martins (fundadora da Abraço) de guarda. O Frágil era um lugar à parte no cálculo das probabilidades.

Tudo era provavelmente possível. O nosso underground. A Factory. Toda a gente todas as noites se encontrava por ali. Ali apresentámos o Eduardo Lourenço (que tem hoje uns 20 anos) a uma atriz bonita. Achámos que ele ia gostar. Ali nos amámos uns aos outros, como manda Deus. E nos insultámos uns aos outros. Os poetas adejavam por perto, o Al Berto perseguindo anjos noturnos de asas cortadas e o Cesariny sentado no passeio às 4 da manhã a dizer, já se vão embora? Ainda é tão cedo. Vimos um esboço da madrugada em casa de uns amigos escritores em Azeitão (nunca se sabia onde a noite ia morrer) e quando o primeiro raio de sol arredava os vampiros, o Cesariny declarou com solenidade que lhe apetecia ir a Almada. Almada? Oh, Mário, Almada não tem piada. E ele: minha menina Almada é Nova Iorque.

Ainda havia cafés e tertúlias. Ia-se a Madrid à movida e ao Almodôvar. Fumava-se entre pratos. Um dia fui almoçar ao PapAçorda com o travesti Lydia Barloff, aliás José Manuel Rosado, a quem eu tinha dado uns conselhos jurídicos que o tinham safado e sobre o qual tinha escrito um texto que o tinha feito chorar (o travesti pode chorar, um homem é que não chora). A Lydia apareceu de camisa e calça, com a cara a brilhar dos restos do espetáculo e uns quilos de orquídeas nos braços para me oferecer. Tinha ido ao Mercado da Ribeira, ainda os mercados eram mercados. Na mesa ao lado, Mário Soares conspirava e olhava divertido. O verso de Ricardo Reis: "Lídia, ignoramos. Somos estrangeiros onde quer que estejamos". O Rosado apareceu morto e quase todos aqueles travestis se suicidaram, mundo cão que inspirou um romance ao António Lobo Antunes.

De dia, alguns de nós trabalhavam. Toda a gente ganhava pouco dinheiro mas nunca se falava de dinheiro. Eu comecei no Expresso no começo dos 80, vinda do "JL". com um texto longo sobre Garcia Marquez. A Revista do Expresso começou nos anos 80 e era, claro, um projeto cultural, editado pelo Vicente Jorge Silva e um grupo de mafiosos culturais nos quais eu me incluí. Tudo era passado a pente fino.

A liberdade era assistida pela iconoclastia e podíamos deitar abaixo do pedestal umas musas e uns bonzos. Só escrevíamos sobre o que nos interessava, para o bem e para o mal. E a Revista tornou-se um diktat. Os críticos pontificavam. Éramos um grupo feroz, com o Eduardo Prado Coelho e a Teresa Coelho, o Miguel Esteves Cardoso, o António Mega Ferreira o Augusto M. Seabra, o Alexandre Melo e muitos outros, atacando na área dos livros, da música, do cinema da arte, do pensamento. Eu tornei-me 'famosa' com um texto a deitar abaixo um dos "Diários" do intocável Torga O grupo foi-se alargando, alguns foram embora para outras paragens mas creio que todos concordariam que os anos 80 foram dos melhores anos das nossas vidas. E os políticos?

Havia gente de outro calibre. Ter conhecido Cunhal, Sá Carneiro, Zenha foi, sei isso quando olho para a engravatada mediocridade, um privilégio. Lídia ignoramos.

EXPRESSO | Revista | 16JUN12

domingo, 17 de junho de 2012

São João, pois então!


Dia grande "de tirar o ventre de misérias"

Antes de mais, um esclarecimento: São João não é, e nunca foi, o padroeiro da cidade, como uns tantos continuam a afirmar e a escrever, erradamente, claro.

Uma pergunta que muitas vezes me colocam é a de quererem saber desde quando se festeja o São João no Porto e como é que um santo que teve uma vida de austeridade, vivendo no deserto e alimentando-se de raízes e de mel silvestre, aparece como padroeiro de uma festa rapioqueira, e até brejeira.

Começo por responder à segunda parte. Desde a mais longínqua antiguidade que os povos celebravam festas por alturas das colheitas. "Junho, foicinha em punho" - lá diz o ditado popular. Eram as festas do solstício de junho que andavam ligadas ao culto do Sol e do fogo. Daí os balões e as fogueiras, como reminiscências dessas antigas práticas. A Igreja, numa bem sucedida e inteligente operação de "marketing", teve artes para absorver as festas pagãs e cristianizá-las, dando-lhes o nome de um santo. Às festas do solstício de junho passou a presidir São João.

Não sei se já se deram conta de um pequeno pormenor: ao contrário do que é normal, o São João é festejado no dia do seu nascimento e não no da sua morte, como por regra acontece em situações análogas. Julgo que a explicação para isso está no facto de São João já ser santo antes de nascer, a partir do momento em que o anjo Gabriel comunicou a Zacarias o nascimento de João, que viria "em nome de Deus anunciar aos homens a vinda do Messias".

Quanto ao São João do Porto, a referência mais antiga que existe a esta festa popular, única no Mundo, consta da "Crónica de D. João I", escrita por Fernão Lopes no século XTV. O cronista fala da sua chegada ao velho burgo, na véspera de São João, especificando: "No dia em que os moradores da cidade costumam fazer uma grande festa".

Mas o São João do Porto devia ser muito mais antigo, porque havia uma cantiga que dizia: "Até os mouros da moirama festejam o São João".

Para a cidade, a festa ao S. João teve sempre um especial significado. Era nesse dia, por exemplo, que a Câmara fazia as suas reuniões mais concorridas, normalmente nos claustros do mosteiro de S. Domingos, por ser o espaço com melhores condições para a concentração de um elevado número de pessoas. E era nestas reuniões que os edis aprovavam as resoluções de maior importância para o burgo.

À medida que o velho burgo foi saindo do interior das muralhas, para se expandir pelas terras arrabaldinas, a festa também se foi adaptando a essas circunstâncias, e se num ano era mais animada num determinado sitio, no ano seguinte já tinha por palco outra rua ou outro logradouro.

Houve um tempo em que os festejos ao S. João eram animadíssimos na Rua dos Caldeireiros, em frente ao oratório de Nossa Senhora da Silva, por funcionar ali um hospital que tinha São João como padroeiro.

Um hospital muito antigo que havia sido transferido da zona da Ribeira para a Senhora da Silva.

Em 1834, logo a seguir ao Cerco do Porto, houve festejos na Lapa, em Santo Ovídio (Praça da República); na Rua Nova do Almada e nos Loios, onde se concentraram "as fritadeiras de peixe". Houve fogo do ar e fogueiras na Rua Nova do Almada, em cujas janelas foram colocadas bandeiras com versos e legendas alusivos à recente vitória dos liberais no Cerco.

Dez anos depois, foi a Patuleia. O ambiente na cidade foi descrito por um jornal desta forma eloquente: "Movimento de tropas, desordens, caceteiros à solta e o exército espanhol à vista". Os espanhóis vieram impor a paz que se alcançou pela Convenção de Gramido. Nada disto impediu que a cidade viesse para a rua na noite de São João. Nesse ano, houve despique sanjoaneiro entre as ruas dos Clérigos e de Santo António, a atual 31 de Janeiro. Escreveu-se aqui no JN: "Mais de quatro mil pessoas e giravam grandes ranchos de senhoras".

Vinte anos depois (1866), aqui, neste mesmo JN lê-se: "Isto vai a morrer. Até o arraial da Lapa esteve desanimado". Isto era o São João. Não morreu e continua aí, como diz a sabedoria popular, "para lavar e durar".

O São João das Fontainhas, uma espécie de Meca onde ainda hoje desaguam as multidões na grande noitada, só aparece a partir dos meados do século XIX. Mais precisamente em 1869, o ano em que um morador do local montou uma enorme cascata ao redor da qual se vendia cabrito assado e arroz de forno; café quente e pão fresco com manteiga; vinho e aletria.

O São João é a gente na rua a divertir-se com a alegria de um cigano. E tem muita razão de ser aquela trova que diz: "Na noite de S. João/é bem tolo quem se deita".
JN Domingo 17/6/12

sábado, 16 de junho de 2012

Gralheira de Montemuro



Gralheira é uma freguesia portuguesa do concelho de Cinfães, distrito de Viseu, situada em plena serra de Montemuro, com 10,58 km² de área e 165 habitantes (2011). Densidade: 15,6 hab/km².
É a sede de freguesia a maior altitude em Portugal (1152 m), podendo ser considerada a mais alta aldeia do país (existem no entanto lugares que não são sede de freguesia a maior altitude). WIKIPÉDIA
Alcantilada na Serra de Montemuro, na vertente norte, a freguesia da Gralheira orgulha-se de ser considerada a «PRINCESA DA SERRA», por desde longínqua data, ser a mais progressiva e desenvolvida das que a rodeiam nas encostas da montanha.
Situada nos limites do concelho de Cinfães (ao qual pertence), a sua vida, porém, está mais ligada a Castro Daire, quer pela distância quer pelas vias de comunicação. As povoações mais próximas e com que confina, são: a norte, a Panchorra, do concelho de Resende; a sul, Carvalhosa, Pereira, Cêtos, Póvoa e Faifa, do concelho de Castro Daire; a leste, Cutelo, Campo Benfeito e Rossão, também de Castro Daire; e a oeste, Bustelo, Alhões e Vale de Papas, do concelho de Cinfães. Por esta descrição, facilmente se pode concluir que a GraIheira fica situada no vértice de uma pirâmide, onde terminam os concelhos de Castro Daire, Resende e Cinfães.
A freguesia mais próxima é a Panchorra, que dista apenas cerca de dois quilómetros, tendo a separá-las o Ribeiro Cabrum. Situada em plena serra, encontra-se cercada por altas montanhas onde abundam os planaltos e os outeiros. A paisagem à sua volta é deslumbrante, embora bravia, tanto no Inverno, como no Verão. Se é certo que no Inverno a sua gente mal pode sair de casa, fustigada pela neve e pelo vento, não é menos verdade que, quando aquela cobre monte; e vales com o seu manto alvinitente, oferece a quem a observa um panorama admirável.
No Verão, é embriagador subir ao alto dos montes para ficar extasiado a contemplar toda aquela beleza que se ergue a seus pés, desde o fundo dos vales até ao pico das montanhas. E olhando lá em baixo, ao fundo da encosta, toda risonha e atraente, vê-se a povoação rodeada de campos verdejantes, com o Cabrum a correr ao fundo, deixando transparecer, aqui e além, uma casa de paredes caiadas, em contraste com a sua cobertura de colmo. Segundo Pinho Leal em «Portugal Antigo e Moderno», o seu nome provém da palavra agreste», porque antes se chamou AGRALHEIRA, que no português antigo, significava sítio desabrido, agro, áspero, infértil, etc. Não se sabe ao certo a data da sua fundação ou criação, mas supõe-se já existir no tempo dos Godos. Foi um dos quatro curatos da freguesia de S. Pedro de Ferreiros de Tendais, que chegou a ser concelho durante muitos anos.
A serra de Montemuro, que à Gralheira serve de trono, também tem a sua história. embora haja quem diga que é a serra mais desconhecida de Portugal. Há muita gente que, indevidamente, lhe chama SERRA DA GRALHEIRA, talvez por ser este o nome da freguesia que fica mais no alto.
O seu verdadeiro nome - Serra de Montemuro - parece ter sido motivado por umas muralhas que existiram no cima da serra, nas Portas de Montemuro, que hoje se encontram em ruínas, e que, segundo documentos antigos, foram construídas pelos Lusitanos, quando comandados por Sertório, para assim melhor resistirem às investidas das Legiões de Roma.
Protegidos por essas muralhas, teriam os Lusitanos suportado os ataques Romanos infligindo-lhes tantas derrotas quantos os ataques que estes lhes moveram, sendo apenas vencidos pela traição, que vitimou Sertório, tal como acontecera a Viriato e só assim conseguindo transpor aquelas muralhas inexpugnáveis até então.
Mais tarde, foram também utilizadas por Geraldo o Sem Pavor, no tempo em que foi chefe de salteadores. Exercia a sua nefasta acção naquele sítio, por ser ponto obrigatório de passagem do Douro para o Paiva, em virtude de, ao tempo, não haver outro transporte que não fosse a pé ou a cavalo, e ser mais perto por ali. Geraldo que conhecia bem o local, ali esperava os viajantes, roubando quem por lá passava.
Foi devido a essas muralhas que antigamente davam à serra o nome de «Monte do Muro», até que mais tarde passou a denominar-se Montemuro. A sua altitude é de cerca de 1383 metros, estando em quinto lugar na ordem decrescente das serras de Portugal. 
Gralheira de Montemuro (Monografia), Carlos de Oliveira Silvestre

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O Cavalo de Turim

Título original: The Turin Horse
Género: Drama
Classificação: M/12
Outros dados: ALE/HUN/SUI/FRA, 2011, Cores, 146 min.
Turim, 3 de Janeiro de 1889. O filósofo Friedrich Nietzsche sai de casa. Ali perto um camponês luta com a teimosia do seu cavalo, que se recusa a obedecer. O homem perde a paciência e começa a chicotear o animal. Nietzsche aproxima-se e tenta impedir a brutalidade dos golpes com o seu próprio corpo. Naquele momento perde os sentidos e é levado para casa onde permanece em silêncio por dois dias. A partir daquele trágico evento Nietzsche nunca mais recuperará a razão, ficando aos cuidados da sua mãe e irmãs até ao dia da sua morte, a 25 de Agosto de 1900. Partindo deste evento, o filme tenta recriar o percurso do camponês, da sua filha, do velho cavalo doente e a sua existência miserável.
O filme, realizado pelo húngaro Béla Tarr ("Sátántangó", "Perdição", "O Homem de Londres"), foi o filme vencedor do Urso de Prata - Grande Prémio do Júri no Festival de Berlim em 2011 e é, segundo as palavras do realizador, o filme que encerra a sua carreira.
PÚBLICO

terça-feira, 12 de junho de 2012

Prometheus

Título original: Prometheus
Género: Thriller, Ficção Científica
Classificação: M/16
Outros dados: EUA, 2012, Cores, 124 min.